Descubra 7 vantagens e 4 problemas dos discos SSD

Neste artigo iremos mostrar algumas das principais vantagens e dos problemas que têm os discos SSD. Irá descobrir que apesar de não ser uma tecnologia perfeita irá inevitavelmente ser o futuro do armazenamento digital.

As unidades de estado sólido ou mais conhecidos por discos SSD, tornaram-se rapidamente-se no sistema de armazenamento preferido para os sistemas operativos e aplicações. De facto, conseguimos encontrá-los nos mais recentes computadores portáteis, telefones, tablets e até mesmo nas consolas de videojogos.

Ou seja, os principais fabricantes de equipamentos informáticos como a Huawei, a HP, a Microsoft e até mesmo a Apple já adotaram a tecnologia SSD como standard nos seus novos produtos.

Com o seu excelente desempenho e durabilidade, estes discos SSD causam um verdadeiro impacto no desempenho dos equipamentos. Mas afinal de contas o que é exatamente um disco SSD? Vamos tentar responder a essa pergunta depois de mostrarmos o que são os atuais discos mecânicos HDD.

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Como funcionam os discos rígidos tradicionais (HDDs)

Para conseguirmos perceber o que torna os discos SSDs tão diferentes, precisamos primeiro de fazer uma pequena viagem ao passado para perceber como funcionam os discos rígidos tradicionais (HDDs). Até muito recentemente que os discos HDD eram o tipo de unidade de armazenamento padrão que encontrávamos em praticamente todos os tipos de computadores.

Dentro de um tradicional HDD, irá encontrar um ou mais discos giratórios chamados “platters” ou em português pratos. Cada um desses pratos é dividido em faixas e setores. Os pratos são normalmente feitos de alumínio ou vidro que são depois revestidos com um material magnético.

A superfície do prato contém biliões de pequenos setores, cada um deles representa um único bit de dados. Cada setor pode ser magnetizado ou desmagnetizada, representando um ou zero.

À medida que os pratos giratórios se movem a milhares de rotações por minuto, pequenas cabeças de leitura e gravação presas a braços oscilantes flutuam a uma altura de um fio de cabelo acima do prato lendo ou gravando os minúsculos setores da unidade.

As unidades de disco rígido são dispositivos incrivelmente complicados com muitas peças móveis pequenas, precisas e frágeis. De facto é uma tecnologia que já existe há alguns anos, mas que tem funcionado relativamente sem grandes problemas.

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Como funciona uma unidade de estado sólido (SSD)

Ao contrário dos discos tradicionais, os SSDs são mais parecidos com os dispositivos semicondutores, como CPUs e memória RAM. Sim, tanto os SSDs como os HDDs são dispositivos de armazenamento, no entanto, os SSDs funcionam de maneira totalmente diferente.

Dentro de um disco SSD, encontramos apenas alguns chips de computadores. Tem um chip controlador do SSD, que gere como e onde os dados são armazenados. Além disso, a maior parte de um SSD consiste em vários chips de memória flash onde realmente os dados são guardados.

A memória flash é uma memória permanente que não é “volátil”. Um exemplo de memória volátil é a RAM porque não se mantém quando a energia é desligada, ou seja, os dados desaparecem. Ao contrário da memória “não volátil”, como os SSDs ou as unidades USB, os dados mantêm-se, mesmo quando a energia é desligada. É por isso que as Pens USB também são chamadas “flash drives”.

Tanto os SSDs modernos como a maioria das unidades flash USB e cartões de memória, utilizam um tipo de memória flash chamada memória flash NAND. É chamada assim por causa de um dos tipos de portas lógicas com que são construidos os microchips. Numa memória NAND, existem várias “células” que podem conter diferentes níveis de carga elétrica. Ao medir o nível de carga numa célula de memória, pode dizer se ela representa um ou zero. Para alterar o conteúdo de uma célula, basta alterar o nível de carga dentro dela.

Existem muitas tecnologias diferentes no mundo da memória NAND. Por exemplo, podemos encontrar alguns SSDs Samsung como a indicação de “V-NAND” ou “vertical” NAND. Nesses SSDs as células de memória são empilhadas verticalmente o que permite mais capacidade de armazenamento no mesmo espaço de silício. Além disso, existe também o 3D NAND da Intel que basicamente é mais ou menos a mesma tecnologia.

 

Tipos de SSDs e interfaces

De facto, existem vários tipos de SSDs com diferentes tecnologias de memória flash NAND. Isso faz com que os discos tenham capacidade de armazenamento e desempenho máximo diferentes. Claro que isso depois se reflete na qualidade e no preço que pagamos por eles.

 

Tipos de memórias flash

Nem todas as memórias flash NAND têm a mesma densidade e o mesmo desempenho de leitura e escrita de dados. Lembramos o que já referimos acima sobre os SSDs em que o armazenamento de dados é feito por pequenas cargas elétricas nas células de memória.

Quando uma célula armazena apenas um único bit de dados, chama-se SLC ou memória de célula de nível único. As memórias MLC (multi-level cell) e TLC (triple-level cell) consegue armazenar dois e três bits de dados por célula, respetivamente. A memória QLC possuem células de nível quádruplo, com quatro bits por célula.

Quanto mais bits de dados conseguir armazenar numa única célula, mais barato fica o SSD e mais dados o fabricante consegue colocar no mesmo espaço. De facto, isto até parece ser uma ótima ideia. No entanto, por causa da forma como os SSDs funcionam, as unidades avariam mais rapidamente se os fabricantes utilizarem métodos de armazenamento com mais bits por célula.

A memória SLC não só, é o tipo de NAND com o melhor desempenho, como também é aquela que tem o tem de vida útil mais longo, ou seja, é o tipo de memória mais durável. No entanto, isso faz com que seja, de longe, o tipo de memória mais cara, encontrada apenas em equipamentos de última geração.

Por isso, a maioria dos SSDs mais comuns tem a tecnologia MLC ou TLC e utiliza alguns métodos para conseguir estender ao máximo a sua vida útil. Com nos parece uma característica importante dos discos SDD, abordaremos essa questão do desgaste com mais detalhe um pouco mais adiante neste artigo.

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Tipos e formatos SSD

Podemos encontrar dispositivos SSDs em vários formatos em que o que difere é mesmo o seu aspeto físico e o tipo de ligação ao equipamento. No início, os SSDs foram concebidos para substituírem os discos tradicionais HDD. Por isso, os primeiros discos SSD que apareceram para computadores tinha um formato parecido e o mesmo formato que os discos tradicionais que já existiam.

Foi por isso que surgiram tantos discos SSD com formato SATA de 2,5 polegadas. Basicamente, podemos retirar um disco rígido mecânico do computador portátil de 2,5 polegadas e ligar diretamente um disco SSD sem problemas de compatibilidade.

Se pensarmos bem, os discos SSD nem precisam do espaço todo que têm os discos antigos. Mas foram assim desenhados sobretudo por causa do facto de os computadores portáteis já terem as furações de suporte com esse tamanho de 2,5 polegadas e as motherboards já terem ligações SATA. Para os computadores fixos, pode sempre comprar uns adaptadores baratos, que permitem colocar uma unidade de 2,5 polegadas no compartimento de 3,5 polegadas.

Porém, além de ocuparem espaço desnecessário, esses discos de 2,5 polegadas estavam limitados a 600 MB/s, já que é esse o limite da interface SATA 3. Entretanto, surgiu o padrão mSATA (mini-SATA) que simplesmente resolveu o problema de espaço. Basicamente, a tecnologia mSATA tem fisicamente a mesma forma, tamanho e ficha que o padrão de placa PCI Express Mini, mas os dois tipos de placas são eletricamente incompatíveis.

Foi então que o padrão mSATA foi substituído pelo padrão M.2 em que os discos SSD podem ser não só SATA como também PCIe, dependendo das características da motherboard.

Além disso, os discos M.2 podem ter dupla face, com componentes em ambos os lados, e terem diferentes comprimentos. Lembre-se que é importante certificar-se de que a motherboard do seu computador é compatível com o disco SSD M.2 que vai comprar.

Finalmente, os discos SSDs NVMe utilizam o padrão Non-Volatile Memory Express, que é a forma como o computador pode aceder à memória. Este tipo de discos SSD vêm com uma ligação PCIe normalmente utilizada para placas gráficas. De facto, a ligação PCIe tem muito mais largura de banda que a ligação SATA, e permite que a rápida memória SSD consiga atingir todo o seu potencial.

 

As vantagens dos SSDs

De facto, há muitas razões pelas quais, os SSDs se tornaram tão rapidamente num padrão em termos de tecnologia de armazenamento. Sim, no início ainda houve alguns problemas que os afastaram temporariamente do mundo dos computadores.

No Informatico.pt estamos em condições de recomendarmos os discos SSD a qualquer pessoa. Aliás, até as mais recentes consolas de videojogos já utilizam SSD. Mostramos a seguir alguns das principais vantagens dos discos SSD responsáveis pela sua tão grande popularidade.

 

Discos SSD são mais rápidos

O disco rígido mecânico mais rápido do mundo, o Seagate Mach.2 Exos 2X14, pode atingir taxas de transferência máximas de 524 MB/s. Consegue ser quase tão rápido como um disco SSD SATA 3. No entanto, os discos mecânicos, mais comuns que encontramos nos computadores atuais, atingem apenas entre 100 MB/s e 250 MB/s de velocidade. Isto, se considerarmos apenas os discos que estão atualmente no topo do mercado.

Os discos SSDs M.2 PCIe mais comuns, como os que encontrados em computadores portáteis de gama média, conseguem velocidades de 2,5 a 3,5 GB/s. Por outro lado, os discos SSDs M.2 PCIe mais recentes conseguem chegar muito perto de 8 GB/s, o que é uma velocidade de transferência de dados, impressionante. As velocidades de gravação sequencial normalmente são um pouco mais lentas do que as velocidades de leitura, mas os dados são transferidos a velocidades impressionantes.

Mas a vantagem dos discos SSD não é apenas a sua velocidade de transferência. Os discos rígidos mecânicos precisam de tempo para conseguirem girar os seus pratos e depois mover as suas cabeças de leitura e de escrita. O tempo que o disco demora até encontrar o ponto certo no prato para uma leitura ou escrita de dados é conhecido como “tempo de busca”. Nos discos SSDs, esse tempo de espera ou de latência é efetivamente zero.

De facto, os discos SSD conseguem ler instantaneamente dados em qualquer local dentro das suas células de memória e até mesmo fazer isso de forma paralela. Não importa se é daqueles utilizadores conservadores que gosta da tecnologia mais tradicional. Os discos SSDs, em termos de desempenho, estão num universo totalmente diferente. Até mesmo se os quiser comprar com um dos melhores discos rígidos mecânicos.

Ao atualizar o HDD de um computador para um SSD, experimenta tempos de inicialização muito mais rápidos e capacidade de resposta do sistema muito rápida. Simplesmente porque a sua CPU nunca precisa esperar por dados das suas unidades de armazenamento. É uma maneira fantástica de dar uma nova vida a um sistema Windows antigo.

 

Discos SSD são mais duráveis

Os discos SSDs são tão duráveis ​como qualquer outro componente que utiliza a memória Flash como, por exemplo, o Processador ou a memória RAM dos computadores. A menos que um pico de corrente os destrua, devem funcionar indefinidamente ou pelo menos durante toda a vida útil do computador.

Os testes indicam que a memória flash também é muito mais resistente a danos provocados por impacto que os discos rígidos mais sensíveis a pancadas e a quedas. Sobretudo, quando isso acontece enquanto estão em funcionamento, por causa dos seus componentes mecânicos.

Essa durabilidade dos discos SSD torna-os perfeitos para computadores portáteis sempre em movimento mais sujeitos a esse tipo de riscos. Tanto o MacBook Air como o iMac e outros membros da família de computadores Mac possuem disco SSDs integrados de alto desempenho.

Queremos que note que, quando falamos na “Durabilidade” não nos referimos ao fenómeno do desgaste que os discos SSD têm. Isso, iremos falar na lista de desvantagens mais abaixo.

 

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Discos SSD não têm fragmentação

A fragmentação dos dados é um problema real dos discos mecânicos HDDs. Basicamente, acontece porque os dados novos são sempre gravados no primeiro espaço disponível do disco. Portanto, um determinado ficheiro pode ter os seus “bits” espalhados em todo o espaço livre disponível do prato físico do disco.

Na realidade, isso prejudica gravemente as velocidades de leitura sequencial e aumenta muito o tempo de pesquisa. Isto porque, as cabeças do disco têm de percorrer todo o “prato” para conseguirem encontrar as partes necessárias para “reconstruir” o ficheiro.

Em contrapartida, os discos SSDs, devido à sua própria natureza, não padecem desse problema de fragmentação. Não é que os ficheiros também não sejam fragmentados. No entanto, isso tem pouca importância porque não há partes móveis e nem é necessário esperar tempo para ele conseguir encontrar aquilo que precisa.

De facto, a desfragmentação apenas acrescenta desgaste desnecessário ao disco. Podemos concluir que, nos discos tradicionais mecânicos, isso tem um impacto muito maior que nos novos discos com tecnologia SSD. Sobretudo porque conseguem executar eletronicamente tarefas de leitura e escrita sem recorrerem a componentes mecânicos.

 

Discos SSD são mais silenciosos

Sim, é uma coisa que, até o mais inexperiente utilizador nota é que os discos rígidos tradicionais são barulhentos. De certeza, que já alguma vez repararam, ou no zumbido do motor do disco, ou nos sons de clique que as cabeças de leitura e escrita fazem quando se movem para frente e para trás. Muito provavelmente alguns já nem reparam nisso porque ao longo de todos estes anos já se habituaram a esses micro-ruidos dos computadores.

Quem já utiliza um disco SSDs já notou que eles não fazem rigorosamente barulho algum. Isto até pode parecer uma coisa sem qualquer importância, mas, se forem como nós aqui no Informatico.pt então concordarão que todos os componentes de computador que são barulhentos são irritantes.

Aliás, em alguns casos, como computadores utilizados ​​para gravação de som, qualquer tipo de ruído, por mais pequeno que seja, pode ser algo crítico. Existem alguns discos rígidos bastante caros que são construidos com o objetivo de reduzirem o ruído de funcionamento. Claro que com um disco SSD esse problema fica completamente resolvido.

É por causa dos discos SSD que agora conseguimos ter um computador como o Apple M1 MacBook Air, que não tem ventoinhas nem disco rígido mecânico a fazer qualquer tipo de barulho. Ou seja, todo o computador é sólido, não tem nenhum tipo de componente mecânico. Isso faz com que este tipo de computador seja 100% silencioso.

 

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Discos SSD são mais pequenos e eficientes

Outra grande vantagem é que os discos SSD não só ocupam muito menos espaço do que os tradicionais discos HDDs como também precisam de muito menos energia para conseguirem funcionar.

Basicamente isso quer dizer que conseguimos ter equipamentos eletrónicos como computadores, tablets ou smartphones mais finos com os discos de armazenamento SSD mais rápidos e a consumirem menos energia.

Além disso, os discos SSDs conseguem entrar quase em total suspensão quando não são utilizados, o que não acontece com os discos mecânicos. Também podemos alternar para o modo de alto desempenho quase de forma instantânea.

Por outro lado, se tivermos em conta o consumo de energia dos discos SSD são especialmente importantes para conseguirmos melhorar a vida útil da bateria dos equipamentos móveis como os computadores. Isto porque os equipamentos com componentes eletromecânicos precisam de mais energia para funcionar do que os que são compostos apenas por componentes eletrónicos.

 

Discos SSDs reduzem o tamanho da instalação

Se optar pela utilização dos discos SSDs é provável que consiga reduzir o tamanho de instalação de algumas aplicações, mas especialmente dos videojogos. Isto porque, se as aplicações dependerem da velocidade do fluxo de dados, os programadores muitas vezes duplicam as informações em vários locais no disco rígido para conseguirem melhorar o desempenho da aplicação/jogo.

Ou seja, fazem isso para reduzirem os tempos de pesquisa que as cabeças do disco demoram a encontrar uma cópia dos dados que precisam, colocando esses mesmo dados mais próximos. Sim, de facto, reconhecemos ser um truque inteligente, mas compromete o espaço livre de armazenamento.

Em contrapartida, as aplicações concebidas para discos SSDs não precisam de utilizar essas técnicas de engenharia. Isto porque, os discos SSD praticamente não tem latência nenhuma e conseguem ler imediatamente dados que estejam em qualquer lugar do disco, o que faz com que precisem apenas de ter uma única cópia desses dados.

As consolas de videojogos como a PlayStation 5 já conseguiram provar o quanto os discos SSD podem reduzir o tamanho das instalações, especialmente quando são combinados com sistemas de compactação. Mas iremos ver isso neste artigo na próxima vantagem dos discos SSD.

 

Discos SSD podem ser acelerados

Provavelmente, já o conseguimos convencer que os SSDs são bastante rápidos. O que se calhar ainda não sabia é que ainda é possível acelerar mais esse tipo de discos de forma a melhorar ainda mais o seu desempenho. Tudo isso graças a uma tecnologia de compressão.

Basicamente, os dados são guardados no disco SSD com um formato extremamente compactado. Depois quando é precisa a informação esses dados são descompactadas em tempo real, o que faz com que melhore significativamente as velocidades de transferência de dados.

Mas como não há bela sem senão, esta tecnologia de compactação de informação tem um pequeno problema. Precisa de um bom processador capaz de descompactar os dados, coisa que os discos SSDs ainda não têm.

Mas já existem algumas placas gráficas com GPUs que são excelentes nesse tipo de trabalho. Utilizam APIs de software (Application Programmer Interface), como DirectStorage da Microsoft e RTX IO da Nvidia para conseguirem acelerar os gráficos 3D. Não nos admirava nada que dentro em pouco esse tipo de tecnologia também fosse utilizada para melhorar o desempenho dos discos SSD.

 

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As desvantagens dos SSDs

Sim, já vimos que os discos SSDs têm muitos atributos interessantes, mas infelizmente a tecnologia não é perfeita. Existem alguns aspetos nos discos SSD que não são tão agradáveis ​​quanto gostaríamos. É muito importante conhecermos estes aspetos menos positivos para não termos depois nenhuma surpresa sobretudo porque vamos colocar lá os nossos dados.

 

Discos SSD são mais caros

Nos últimos anos, os discos tradicionais HDD além de baixarem muito de preço, aumentaram consideravelmente a quantidade de espaço para armazenamento de dados. O que acontece, neste momento, é que um gigabyte de dados num disco rígido HDD custa muito menos do que num disco flash NAND dos mais baratos.

Sim, é verdade que os preços dos discos SSDs caíram vertiginosamente nos últimos anos, mas as pessoas normalmente ainda têm utilizado discos com capacidades relativamente pequenos entre os 256 GB e os 512 GB. Por causa desta diferença de preço utilizam-se os discos SSD para as aplicações e sistemas operativos. Para o armazenamento em massa como ficheiros multimédia ou aplicações que não precisam tanto das velocidades dos discos SSD, utilizam-se os discos rígidos mecânicos mais baratos.

A boa notícia nisto tudo é que, como acontece com toda a restante tecnologia de semicondutores, o aumento da densidade dos transístores e o aperfeiçoamento dos processos de fabricação irão fazer com haja uma tendência exponencial de redução de custos e aumento de capacidade de armazenamento.

Por enquanto, a maioria dos orçamentos exige uma combinação dos 2 tipos de armazenamento, discos mecânicos para dados tipo “arquivo morto” e discos SSD para dados que exigem maior desempenho como os ficheiros dos sistemas operativos.

 

Discos SSD desgastam-se

Apesar de os discos SSDs serem muito duráveis, conseguirem suportar mais pancadas do que os discos rígidos, e terem um tempo de vida útil mais longo, têm o problema do desgaste. Ou seja, ao longo do tempo de utilização os discos SSD vão perdendo qualidade até ao ponto que deixam de funcionar.

Isto acontece basicamente porque a gravação nas células de memória dos discos SSD é um processo destrutivo. Sempre que um bit é gravado numa célula de memória SSD, essa célula perde um pouco da sua capacidade de reter uma carga elétrica.

Com o passar do tempo e as gravações repetitivas das células elas tornam-se inutilizáveis. Existem os discos SSDs SLC que conseguem lidar melhor com as gravações repetitivas das células. Fazem-nos mais eficientes sem que as células deixem de funcionar tão cedo quanto as células dos discos MLC, TLC e QLC que são mais vulneráveis.

Reconhecemos ser um pouco assustador, mas os primeiros discos SSDs que se venderam para consumo podem estar prestes a morrer de forma abrupta. Hoje isso melhorou um pouco porque os discos vêm com sistemas como o nivelamento automático do desgaste e o super aprovisionamento para tentarem aumentar ao máximo a resistência à gravação nos discos SSD.

De facto, o desgaste dos discos SSD é um tema importante, mas um pouco complexo. Por isso vamos tentar detalhar a seguir tudo o que precisa de saber sobre este assunto para ficar esclarecido no momento em que vai fazer uma compra ou configurar o seu sistema de cópias de segurança.

Ou seja, vamos tentar responder a seguir a algumas das perguntas sobre um dos problemas mais importantes, mas incompreendido e que, é quase exclusivo da tecnologia SSD. Sim, vamos falar mais aprofundadamente do desgaste dos discos SSD. Foi algo que se tornou num seu assassino mítico e que, manteve acordados durante a noite muitos dos primeiros adeptos desta nova tecnologia.

 

Por que se desgastam os discos SSD?

Na verdade, a leitura de dados não tem nenhum impacto na sua vida útil dos discos SSD. Por outro lado, a escrita de dados nas células de memória flash degrada gradualmente a sua via útil. Cada célula de memória de um disco SSD é constituída por um componente de óxido e duas camadas de outro químico misturados com oxigénio. Os eletrões ficam presos entre essas camadas de óxido.

Basicamente, o estado de uma determinada célula depende do seu nível de carga. Ou seja, por outras palavras, o estado da célula depende de quantos eletrões estão presos entre as camadas de óxido. Cada vez que esse estado é alterado, as camadas de óxido vão-se desgastando até ao dia em que irão perder completamente a sua capacidade de conter os eletrões.

Sim, nesse dia será impossível conseguir ler corretamente os dados do seu disco SSD. Quando mais vezes escrever dados nas células do seu disco menos tempo de vida útil ele irá ter. Muito fabricantes até já excluíram das suas garantias os problemas causados nos discos SSD utilizados para mineração de dados por isso ser um processo intensivo de escrita de dados.

 

Que tipos de resistência têm os discos SSD?

Embora todos os discos SSDs sofram com o desgaste no processo de gravação, nem todos têm a mesma resistência a esse desgaste. Existem diferentes tipos de células de memória, que diferem sobretudo na quantidade de informações que conseguem armazenar.

Como já vimos, o sistema SSD mais robusto que existe é conhecido como SLC ou memória de célula de nível único. Isto porque em cada célula ele armazena apenas um único bit de dados, tornando essa célula num sistema binário. Isso faz com que seja mais fácil perceber o nível de carga dessa célula, ou é positivo, ou é negativo, mesmo depois de muito desgaste.

Outros sistemas mais comuns, com o MLC e o TLC com níveis múltiplos, armazenam dois e três bits por célula, respetivamente. Como as suas células têm vários níveis, é preciso ler muitos estados diferentes de carga.

O problema é que as margens entre os diferentes estados das células são muito pequenas. Mesmo uma pequena quantidade de desgaste pode causar problemas na capacidade de reter os eletrões impossibilitando a recuperação do seu estado correto.

Então, é fácil de resolver o problema, utilizamos apenas os sistemas SLC. Errado! O problema é que o valor por gigabite do sistema SLC é extremamente caro. Apesar de ser rápido e robusto não é tão denso como os restantes sistemas.

Atualmente, a maioria dos discos SSD de qualidade premium, usada nos computadores, tem a tecnologia MLC e TLC por causa do facto de conseguirem maiores capacidades de armazenamento a um melhor preço.

Mas então, devemos preocupar-nos muito com esta falta de resistência dos discos mais baratos?

 

Qual a resistência máxima dos discos SSD?

A resposta a última pergunta é, “sim, devemos preocupar-nos, mas não muito”. No início, quando surgiram os primeiros discos SSDs para computador, conseguiam-se destruir em apenas algumas horas bastava bombardeá-lo com alguns pedidos de gravação. Hoje em dia, os discos com vários níveis, já vêm com muito mais resistência ao processo de gravação suficiente para uma utilização normal durante vários anos.

Existem algumas razões para isso, mas tudo se resume ao fato de os próprios discos se terem tornado pequenos sistemas operativos muito mais inteligentes e modernos que conseguem gerir melhor a sua capacidade de gravação.

Por exemplo, os discos SSDs mais modernos já utilizam uma técnica conhecida como nivelamento de desgaste. Basicamente, espalha de forma transparente as gravações de células por todo o disco para que o desgaste aconteça de forma o mais uniforme possível. Caso contrário, algumas células iriam morrer muito mais cedo do que outras.

Então, quanta resistência de gravação pode esperar de um disco SSD?

A última geração de discos como os Samsung 950 Pro de 512 GB, tem uma autonomia de gravação de até 400 TB. No entanto, muitas pessoas ainda utilizam discos mais antigos, como o 850 EVO que tinha como limite máximo ‘apenas’ 150 TB.

Alguns testes de “stress” conseguiram provar que a autonomia máxima de gravação referida pelos fabricantes é muito pessimista. Na realidade, os testes efetuados ao disco SSD 850 EVO chegaram aos impressionantes 9100 TB de gravações antes de o disco deixar completamente de funcionar.

Portanto, o limite máximo de gravações de 150 TB será apenas o limite em que o fabricante deixará de se responsabilizar em termos de garantia para os defeitos de fabrico.

No entanto, os discos SSD não devem ser utilizados para nenhum tipo de trabalho em que são feitas constantemente muitas gravações. Não são os discos mais recomendados para utilizar em servidores, sistemas de vide vigilância ou mineração de dados.

Devem ser utilizados apenas para o trabalho habitual num computador pessoal sem ter de se preocupar com a resistência de gravação. Recomendamos é que opte sempre por uma boa marca e faça regularmente cópias de seguranças da sua informação mais crítica.

 

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Discos SSD não se recuperam dados

Atualmente existe uma indústria enorme criada em torno da recuperação dados dos discos rígidos mecânicos. Se tiver o dinheiro suficiente até pode recuperar os dados de discos completamente danificadas. Os especialistas conseguem literalmente reconstruir os discos a partir dos seus pedaços.

Sim, conseguem-se recuperar dados apagados acidentalmente porque os discos HDDs não eliminam por defeito definitivamente os dados físicos. Quando eliminamos um ficheiro no Windows ou noutro sistema operativo, o sector do disco onde estavam esses dados é simplesmente marcado para poder ser utilizado para guardar outros dados.

Ou seja, desde que a substituição dos dados do sector onde existiam os antigos, ainda não tenha acontecido, é possível recuperá-las utilizando um software especial que os irá reconstruir.

Com os discos SSD é quase impossível recuperar qualquer tipo de informação se ele sofrer algum tipo de dano ou os ficheiros forem apagados. Quando os discos rígidos tradicionais ficam danificados por causa de um pico de corrente é possível reconstruí-los com novos componentes eletrónicos.

No entanto, como os discos SSD só têm componentes eletrónicos, normalmente a sua memória nesses casos de problemas elétricos, queima completamente sem possibilidade de recuperação.

Também não ajuda muito o facto de os discos SSD possuírem controladores sofisticados que comunicam com os sistemas operativos. Por exemplo, o comando TRIM utilizado pelos discos SSD SATA apaga preventivamente as células de memória marcadas para eliminação. Faz isso para tentar acelerar o processo de gravação, mas impossibilita a recuperação dos dados.

 

 

Conclusões:

Em poucos anos, a tecnologia dos discos SSD tornou-se bastante popular aparecendo em todos os tipos de equipamentos que precisam de recursos de armazenamento. Até as novas versões da Playstation já contam com discos SSD em vez de dos tradicionais discos rígidos mecânicos.

Os discos SSD representam um grande salto no desempenho em relação aos discos rígidos tradicionais. No entanto, também trazem alguns problemas que devemos ter em consideração relacionados com a sua utilização e manutenção.

A maioria dos utilizadores que leem este artigo muito provavelmente já tem um disco SSD no seu computador ou se ainda não têm não tardará a alguém lhe recomendar a substituição do disco ou a compra de um novo computador com um disco SSD.

No entanto, lembre-se sempre que nem tudo são rosas. Esta tecnologia apesar de ser fantástica em termos de desempenho também possui alguns espinhos. Aliás, se pensarmos bem, todas as formas de armazenamento de dados mais tarde ou mais cedo podem perder os dados.

Todas as formas de armazenamento com o passar do tempo ou com a utilização vão se degradando até ao momento em que não conseguem mais manter os nossos dados num formato legível. Os discos rígidos podem ser guardados por décadas sem que os dados sejam perdidos.

Os discos SSDs, por outro lado, podem perder os seus dados depois de alguns anos de armazenamento. Isso acontece por causa da degradação da camada isolante que mantém a carga em cada célula de memória. Basicamente essa camada perder as suas características e a célula deixa de conseguir guardar os dados.

Além disso, a perda de dados acontece mais rapidamente se os discos SSDs forem mantidos num ambiente muito quente. Mas de qualquer forma, continuam sem ser a melhor escolha de guardar dados por muito tempo.

Apesar de os discos SSDs não serem perfeitos, representam um salto tão grande no desempenho da capacidade de armazenamento que o seu eventual domínio do mercado parece ser uma coisa inevitável.

Com o tempo, esperamos que até os SSDs SLC diminuam de preço e que os tipos de discos SSD menos duráveis ​​se tornem ainda mais inteligentes no que diz respeito aos problemas relacionados com o desgaste.

Lembramos que no início, a tecnologia dos discos rígidos, também teve uma grande quantidade de problemas. No informatico.pt acreditamos que quaisquer problemas que os discos SSDs ainda venham a ter serão resolvidos imediatamente pela indústria mundial.

Tabela de conteúdo

António Almeida

António Almeida

Licenciado em engenharia Informático e Telecomunicações, mestre em Sistemas e Tecnologias de Informação e doutorando em Informática é um apaixonado por todo o tipo de tecnologia. Apostava na troca de informações e acaba de criar uma rede de informáticos especialistas interessados em tecnologia.

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